Sexta-feira, Maio 05, 2006
Segunda-feira, Maio 01, 2006
A vida de uma cidade
Com Paul Strand, Sheeler fez "Manhatta", um curto, expressivo e poético filme sobre um dia na cidade de Nova Iorque, baseado em "Leaves of Grass" de Whitman:FLOOD-TIDE below me! I watch you face to face;
Clouds of the west! sun there half an hour high! I see you also face to face.
Crowds of men and women attired in the usual costumes! how curious you are to me!
On the ferry-boats, the hundreds and hundreds that cross, returning home, are more curious to me than you suppose;
And you that shall cross from shore to shore years hence, are more to me, and more in my meditations, than you might suppose...
Fotografia: Charles Sheeler, Doylestown House, Stove, Horizontal, ca. 1916–17
Punctum diaboli
Visível, pois, e à terceira o sangue não correu. Da primeira cópula, o mestre da tortura impõe o preço. Fora a mancha, a verruga, a marca. Etiam in partibus secretioribus o aguilhão fura, perfura, há que confessá-lo, o mal, supremo, o horror... outros são os homens dos deuses, e a abjuração possui um valor. O corpo, em suas anomalias, deformis ut saga, tem sortilégios: resistir até que o desalojem de seu fascinum, penitência de excessos. Servos e servas suando, babando-se, fedendo ou conservando um halo de santidade.Fotografia: Nelson Oliveira
Sábado, Abril 29, 2006
Quinta-feira, Abril 27, 2006
entreaberto às aves que nele mergulham
Jazz in Africa: Jazz Epistlesoh sécias do meu segredo
o transporte no tempo fulmina
e a ambição é desmedida
eu e a morte tu e a morte
uma casa onde guardá-la
uns olhos onde comê-la
a paixão estrebuchando
e se alguma coisa permanece
é só de nome
algumas notas musicais
matizam aqui e ali
esse outro nome da vida
morte
húmus silencioso
pontuado de pequenas sementes
sémen que espreita
a vida
seiva circulando
a casca hasteada ganhando fôlego
até estender um braço
e outro e muitos mais
arvoredo denso
entreaberto às aves que nele mergulham
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Domingo, Abril 23, 2006
Vingar-se de nós porque sim

Calçada do Cordeal
Pequeno tambor orgia modesta
o lago tranquilo a descoloração
tintura de brancos e verdes floresta
o lago tranquilo a prostituição
candura doçura nos olhos em festa
mão no coração
A bola de vidro rola vis-a-vis
com as flores que altas são no jardim.
Há justos e réprobos porque o Senhor quis
vingar-se de nós porque sim
Mário Cesariny
Pequeno tambor orgia modesta
o lago tranquilo a descoloração
tintura de brancos e verdes floresta
o lago tranquilo a prostituição
candura doçura nos olhos em festa
mão no coração
A bola de vidro rola vis-a-vis
com as flores que altas são no jardim.
Há justos e réprobos porque o Senhor quis
vingar-se de nós porque sim
Mário Cesariny
Imagem: Sarah Moon, Anatomie
Sábado, Abril 22, 2006
«contra-natura» o martírio
as emboscadas é o que tenho em mente. o martírio é um amor apodrecido em hipnoses de casinos e deuses na testa. um dia fui e vim no mesmo táxi e falámos de jotas sim dos jesuses do sebastião e silva das teias dos irmãos dos pais. em suma do verbo da carne feita de coisas tangíveis. é claro que a memória é uma puta de uma algibeira de onde só sacamos o contrabando de pensar nas coisas. o mediterrâneo tem destes aquéns e aléns. baralhos sorteados entre comparsas. ah falava da carne ou do verbo que são uma e única coisa. nem masculino nem feminino. é curioso o m e o f por exemplo fúria farol fere fustigar faca ou do parir do m vejamos mãe mão mina melancolia. bem creio que há aqui uma troca mas f ainda me recorda foice. m é martírio morte. talvez me ficasse por aqui agora não sei se vendido se comprado. mas podíamos combinar um preço decente. não sei o que me dói não é um dente nem a vesícula é as pessoas não terem lido o wayne c. booth. a retórica e a ficção tornar-se-iam muito mais claras: agradecimentos finais: não comente o leitor seria um desperdício. o martírio está precisamente nisso: é claro que me faço entender. o fogo secreto o logos incarnado é «contra-natura».Imagem: Lovis Corinth, Martyrium, 1921/1922
Quinta-feira, Abril 20, 2006
Do fantástico (5)
A modo de introducción A Marie
Palabras aves con alas de sangre
Palabras volando locas por los aposentos del corazón
Animales a veces con transparencias de cielo
Ramos de mundos astrales (cometas con cabeza de bailarina)
Flores extrañas perfumando el cerebro
Señal de sonrisa o al contrario de alegría
Apariciones y desapariciones en la oscuridad de los días
O águilas blancas aleteando sobre las montañas del sueño
Vitrinas lunares con ángeles y espadas
Con lobos ciudades buques y cabello de mujer
Palabras dibujos incomprensibles de esta escritura
Como mis manos como tus ojos cerrados.
Max Blecher, tradução de Joaquín Garrigós
Francisco Toledo, Tamazul (Sapo), 1977, Óleo sobre lienzo.
Colección particular
Quarta-feira, Abril 19, 2006
Domingo, Abril 16, 2006
Ressurreição *
* Leão Tolstoi: «Mas nós procuramos o acréscimo e é natural que não o encontremos.Eis, pois, o objectivo da minha existência. Uma vida termina e outra começa.»
Imagem: Ressurreição, Petrus Christus, c. 1450
Sábado, Abril 15, 2006
Da Paixão V

The Black Christ depicts former African National Congress leader Chief
Albert Luthuli being crucified by former Prime Minister Hendrik Verwoerd
and his Justice Minister John Vorster.
Ronnie Harrison, O Cristo Negro, óleo s/tela, 1961
Sexta-feira, Abril 14, 2006
Quinta-feira, Abril 13, 2006
Da Paixão I
Pequena escultura de vulto em marfim representando um Menino Jesus segurando os instrumentos da Paixão. Enverga túnica (com dourado na gola, botões, cinto e punhos) terminando com uma tarja dourada. Tem o manto lançado no ombro, decorado a dourado, e segura na mão esquerda os instrumentos da Paixão - escada, coluna,cruz e vara com bandeira; na mão direita segura uma ceira com os cravos. Tem o cabelo estofado e dourado, com caracóis volumosos; calça sandálias douradas. Assenta sobre uma base amovível, de formato octogonal, decorada com dourados e tarja de “pontas-de-diamante“. Tem policromia e ouro.Imagem: Menino Jesus Prefigurando a Paixão
Título: Menino Jesus com os Instrumentos da Paixão
Autor: Desconhecido
Quarta-feira, Abril 12, 2006
Colaborações *
CrônicaDigressões para Valéria C.
A internet é o hospício mais democrático do mundo. A grande invenção no novo milênio abriga tudo sob seus telhados. Lá está também a Poesia, esta fêmea dada a afagos humanos. Lá encontrei Valéria C., uma espécie de leitora ideal, dona de um blog performático que transforma visualmente os versos de muitos escritores. Valéria C. apresenta-se com uma frase de Clarice tatuada nas costas: "pensar é um ato, sentir é um fato". E mais não precisa mostrar de si.
Ela me disse em um e-mail: "Tava pensando aqui no quanto podem ser solitários o pensar e o sentir e, em alguns casos, o conseqüente 'poetar', mas devia ser o contrário, porque significa ampliar e ampliar devia agregar". Coloco-me na frente do computador, entre uma consulta e outra aos oráculos da era moderna, e reflito sobre o paradoxo levantado pelas palavras de Valéria.
"Pensar é estar doente dos olhos", disse Alberto Caiero, que só queria olhar as coisas como elas são, sem transgredi-las com abstrações. Pensar nos remete a poços de angústia e, no entanto, é o que nos salva e ilumina, é o que nos eleva, pelo menos assim, pretensamente, pensamos.
O sentir nos animaliza. Um homem movido a sentimentos, sejam eles quais forem, é mais próximo da natureza, do instinto. Os rompantes da paixão, do ciúme. As obsessões provocadas pelo ódio, pela inveja. As gratitudes do amor. Quando sentimos nos aproximamos do Universo. Fernando Pessoa, naquilo que chamou de "Reflexões Paroxais" diz: "Sentir é criar. Sentir é pensar sem idéias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem idéias".
O poetar vagueia nas indefinições, faz fronteira com o absurdo e o sonho. Poetar é concretizar a solidão do pensar e do sentir. É tentar distribuir estes atos ao outro pela linguagem escrita, mas em forma de viés, de obliqüidades. Talvez por isso milhares de poemas ficam circunscritos ao fundo das gavetas. No começo da escrita poética, é difícil existir alguém que saiba mentir, imaginar. A grande maioria apóia-se sobre a verdade. Principalmente quem não se arvora poeta, apenas escreve 'suas coisas', ancora-se naquilo que sente e pensa. Por ser tão revelador o que traduzimos em escrita, o mundo externo nos exige este escondimento.
Pensar, sentir, poetar. Três verbos que diferenciam tanto os humanos dos demais seres da natureza. Três ações soterradas na solidão. Três ações feitas para o outro, para "ampliar", "agregar" nossa existência e que quase sempre executamos como se fossem coisas escusas, feitas de medo e crime. Nos vexamos, nos fechamos quando somos pegos em qualquer um desses atos. Poderíamos levar nossa vida mais pelo caminho contrário?
* Rubens da Cunha, in A Notícia
Imagem: Gilles Barbier, L'Hospice
Remake

O Psitacismo
Vermelho. Colt. 45. A guerra, pois então!
A embalagem? O insecticida, a campanha de prestígio.
Homo statisticus (sim, é autónoma a pin-up).
A cabeça perdida nos cheese-burghers.
Fumei tanto e o cérebro cristalizado.
Titubeia e a mulher ipsiloniza - quem? D. Juana,
carnavaliza, muito quieta, mito-
lógica na sua antiguidade. Há-de
catatuar, sabes, oh noite noite morte
tão desejada, mas uma bala premente
negrua a indiferença. Enfim, tudo pode acontecer.
O sopro diluir-se. O remédio eclodir der-
ramado sobre o mundo -«o feiticeiro invoca»
o ventre o vento está mais além...
A seta é sibilina, mas não
há como um Colt 45.
Imagem: Rochele Zandavalli, Túnel (em estudo e observação)
Segunda-feira, Abril 10, 2006
De tabaco

a verve das máquinas que fascinam
de tabaco só em 'strip'
no documento do pacote global humano
em cabarés e bares atacando
todo um sector da economia
esta não "é a letra definitiva" da nova lei
Fotografia: Valie Export, Valie Export — Smart Export
de tabaco só em 'strip'
no documento do pacote global humano
em cabarés e bares atacando
todo um sector da economia
esta não "é a letra definitiva" da nova lei
Fotografia: Valie Export, Valie Export — Smart Export











